Folclore judaico
Adriano, o imperador de Roma, chamou o rabino Josué Ben Nania e disse–lhe com precipitada vivacidade: — Quero ver o Deus de que tanto falas.
— Impossível, contrariou o sábio, revestindo ares de maior serenidade.
— Para o imperador o impossível não existia. Atalhou impaciente o soberano, com ar de enfatuada segurança.
O rabino conduziu o orgulhoso e obstinado imperador até uma janela do palácio e pediu que fitasse o sol durante alguns instantes. Era quase meio dia e os raios de luz solar derramavam–se intensos, como um dilúvio ardente, sobre a terra.
— Não posso olhar para o sol, confessou afinal o romano, levando a mão aos olhos ofuscados pela brilhante luz.
Com palavras pausadas, mas cheia de autoridades, concluiu o Rabino:
— Não podeis olhar o sol que não passa, afinal, de uma insignificante estrela do céu. Como quereis pôr vossos olhos em Deus, que é mais forte de que todos os sóis do universo e mais refulgente do que todos os mundos que povoam e iluminam o infinito?
Autor Desconhecido.