Leia o que nos dizem os Espíritos:

• Novembro 2003.
 

Esmolas

 
 

"Qual a conduta a ser tomada quando pensamos em dar esmolas aos que estão nas ruas, sabendo também que há campanhas feitas pelos sociólogos que são contra esta maneira de agir?"

Foi lida uma questão acerca da caridade e esta pergunta nos toca a sensibilidade.

O homem moderno vê–se defrontado com o conflito entre o que deve fazer e o que a lei, os sociólogos e a sociedade determinam.

A caridade é uma destas situações, uma vez que no mundo moderno existe o conceito de que fazer caridade é ser paternalista e, segundo essa ótica, quem faz caridade impede o indivíduo de crescer e prejudica a sociedade em geral.

Consideramos que os apelos dos administradores das cidades devem ser acolhidos pelo bom senso, ponderação e pela proverbial disciplina que o espírita deve conduzir como norma de vida, mas essa aceitação não deve ser levada à Casa Espírita, que deverá continuar com a sua programação de caridade.

Uma das funções do Centro Espírita é ser hospital–escola, amparando aqueles que estão caídos e atendendo aos que estão doentes, seja pela fome física ou pela espiritual. Dentro desta filosofia tão familiar às Instituições espíritas será difícil implantar as regras teóricas construídas nos gabinetes.

Doai, portanto, o quanto puderdes, para que se produza em vós o cêntuplo daquilo que doardes. Doai generosamente, sem colocar obstáculos à vossa doação.

Alimentai os que têm fome, nos diz Jesus; visitai os doentes e encarcerados, vesti os nus, confortai e amparai.

Entretanto, dentro da programação da Casa espírita, que se propõe a ser também escola, promover–se–ão as oportunidades para que a criatura possa reerguer–se, saindo da condição de pedinte para uma vida melhor e mais digna. Para isso deverá a Casa, manter em sua programação cursos profissionalizantes, isto quando disponha de professores que possam providenciar o ensino adequado. Porém, antes de pensarmos na programação profissional, acalmem–se a fome, a angustia, a insegurança e a dor.

Queridos e amados filhos, não existe banquete mais belo do que aquele que compartilhamos com os miseráveis; não existe alegria maior do que ver nos olhos de uma criança o brilho pelo brinquedo recebido. Sentir em um coração de mãe o contentamento pelo pacote de leite que vai minorar a fome dos seus filhinhos, suprindo uma necessidade básica.

Deixai que os vossos corações se comprazam de ternura ao acolher uma mãozinha suja que se estende e recebe um pedaço de pão.

Tudo isso faz parte da Doutrina dos Espíritos; é parte essencial dela, pois fora da Caridade não há realmente salvação.

Eis por que para o espírita não existe conflito entre o que as autoridades reclamam e o que a consciência dita. Conciliem–se as duas coisas de maneira que todos sejam atendidos.

A Casa Espírita tem o dever de favorecer as condições e criar oportunidades de progresso para o homem.

O Centro Espírita é o abençoado local que acolhe a todos que têm fome e sede, recordando Aquele que disse: "Porque tive fome e me deste de comer; porque tive sede e me deste de beber".

Miguel Vives y Vives