Homenagem do compositor e poeta Dudu Falcão à sua avó Nair Queiroz Carneiro de Albuquerque, desencarnada aos 93 anos de idade.
Ficou um dia guardado
um momento sagrado
em que por instantes
calou os pianos do mundo.
Parou o relógio
que inventava o sentido
das horas no tempo.
Ficou a impressão de infinito
no estranho conflito
de ausência e presença.
Uma vida espalhada por outras
que guardam como um mosaico
aquela que foi, nessa outra que ficou.
Ficou uma rara beleza
uma dor na certeza
de que o tempo já passou.
Levou seu vestido de festa
seu sorriso de luz
e a receita secreta
do último suspiro...
... o mais doce de todos
feito de nuvens
salpicadas de estrelas.
Dudu Falcão.