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• abril 2006.

Homenagem do compositor e poeta Dudu Falcão à sua avó Nair Queiroz Carneiro de Albuquerque, desencarnada aos 93 anos de idade.

Ficou um dia guardado

um momento sagrado

em que por instantes

calou os pianos do mundo.

Parou o relógio

que inventava o sentido

das horas no tempo.

Ficou a impressão de infinito

no estranho conflito

de ausência e presença.

Uma vida espalhada por outras

que guardam como um mosaico

aquela que foi, nessa outra que ficou.

Ficou uma rara beleza

uma dor na certeza

de que o tempo já passou.

Levou seu vestido de festa

seu sorriso de luz

e a receita secreta

do último suspiro...

... o mais doce de todos

feito de nuvens

salpicadas de estrelas.

Dudu Falcão.

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